terça-feira, dezembro 28, 2010

segunda-feira, outubro 11, 2010

terça-feira, setembro 21, 2010

Fim



Até quando podem
as duras mágoas do Inverno
ensombrar o dia?

Que secreta Primavera
florirá neste vazio?


C.A.Silva

quinta-feira, setembro 02, 2010

segunda-feira, julho 05, 2010

... Metamorphosis II...!?




Hora

Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.


Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, junho 29, 2010

...Metamorphosis?!...


"Aquilo a que a lagarta chama fim do mundo, o mestre chama borboleta.
Não te afastes de possíveis futuros antes de teres a certeza que nada tens a aprender com eles. Todas as pessoas, todas as situações da nossa vida estão ali porque as criámos. Aquilo que temos a fazer com elas só depende de nós."

Richard Bach

domingo, junho 27, 2010

terça-feira, maio 18, 2010

Letras partilhadas...



Eu queria escrever-te uma carta


amor,

uma carta que dissesse

deste anseio

de te ver

deste receio

de te perder

deste mais bem querer que sinto

deste mal indefinido que me persegue

desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma carta

amor,

uma carta de confidências íntimas,

uma carta de lembranças de ti,

de ti

dos teus lábios vermelhos como tacula

dos teus cabelos negros como dilôa

dos teus olhos doces como maboque

do teu andar de onça

e dos teus carinhos

que maiores não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta

amor,

que recordasse nossos tempos na capopa

nossas noites perdidas no capim

que recordasse a sombra que nos caía dos jambos

o luar que se coava das palmeiras sem fim

que recordasse a loucura

da nossa paixão

e a amargura da nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta

amor,

que a não lesses sem suspirar

que a escondesses de papai Bombo

que a sonegasses a mamãe Kieza

que a relesses sem a frieza

do esquecimento

uma carta que em todo o Kilombo

outra a ela não tivesse merecimento...

Eu queria escrever-te uma carta

amor,

uma carta que te levasse o vento que passa

uma carta que os cajús e cafeeiros

que as hienas e as palancas

que os jacarés e bagres

pudessem entender


para que o vento a perdesse no caminho

os bichos e plantas

compadecidos de nosso pungente sofrer

de canto em canto

de lamento em lamento

de farfalhar em farfalhar

te levassem puras e quentes

as palavras ardentes

as palavras magoadas da minha carta

que eu queria escrever-te amor...

Eu queria escrever-te uma carta...

Mas ah meu amor, eu não sei compreender

por que é, por que é, por que é, meu bem

que tu não sabes ler

e eu - Oh! Desespero! - não sei escrever também.


António Jacinto (1924-1991) Escritor angolano

terça-feira, março 09, 2010




Um trovão estronda

e os trovõezinhos ecoam

na selva em redor.


Mestre Nenpuku Sato