
Imagem retirada daqui.
Mar novo
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E é bom medir a água evaporada
sobre a concha
a alga
a rocha.
Medir também teu corpo natural
onde encontrar a boca
os pés
os olhos
a palavra.
Manuel Rui



Hora
Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.
Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.
E dormem mil gestos nos meus dedos.
Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.
Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.
E de novo caminho para o mar.

"Aquilo a que a lagarta chama fim do mundo, o mestre chama borboleta.
Não te afastes de possíveis futuros antes de teres a certeza que nada tens a aprender com eles. Todas as pessoas, todas as situações da nossa vida estão ali porque as criámos. Aquilo que temos a fazer com elas só depende de nós."
António Jacinto (1924-1991) Escritor angolano
Quem me dera ter raízes, que me prendessem ao chão.Jorge Sousa Braga, Herbário